Com certeza te incomodam
Entorpecem te tropeçam
Fazem desse ti não seu
Tanta coisa que não é.
Na cidade dos confusos
Todos falam ao mesmo tempo
Sortes mortes risos choros
São jornais dos embrulhados
Feito estômagos comidos.
(Desavisos da manchete
Que secou este lugar)
Quando a luz do sol repete
Faz do teu engano um mito
Igualando nossas peles
Minha voz se recupera
Num resto de sem sentido.
(No que não foi repartido)
Calço o saco do silêncio
Antes peço do que dispo
Que os pingentes não ofusquem
Num soslaio, esse teu olho.
Seque a vela, sê calado
Pensar será teu pecado
Sangre o que há de santo em ti
Na reluta mutação.
Que as palavras pelas tantas
Se dissipem em desespero
Caiam todos das cadeiras
Submetam metafísicas.
(Que os gestos não resistam)
No olhar há uma além-dor
Bem maior que a que não dói
Desespero é resultado
Da estagnação do chumbo
Que num eco em ti, corrói.
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